domingo, 5 de janeiro de 2014

Estado Zen

Para fugir da confusão e da poluição da grande cidade, nada melhor do que ir carregar as baterias a Coloane, a ilha mais a Sul da Macau.
Coloane acaba por ser o pulmão de Macau. Aqui as montanhas verdejantes ainda reinam, face à construção em massa devastadora que o Homem teima em manter. Juntamente com as pequenas povoações aqui existentes, estas montanhas formam um meio rural bastante pitoresco, que transmite uma calma que nos vai fazendo quer ficar por cá.
No alto de Coloane descobrimos um templo sagrado: o templo de A-Má! Pouco se fala deste templo, visto que o templo de A-Má mais antigo se situa na Península de Macau, sendo portanto esse o templo de que mais se fala nos roteiros turísticos e que, consequentemente, atrai mais curiosos.
E é por isso que este templo em Coloane é tão especial. Mesmo ao fim de semana, poucos são os transeuntes que por aqui aparecem e assim é possível apreciar a beleza, a energia e a calma que este espeço zen tem para nos oferecer. 
Só a sua entrada, com a sua escadaria ornamentada, deixa-nos deslumbrados e curiosos com o que poderemos sentir a cada passo que damos.



À entrada é possível observar-se esculturas de tartarugas e até mesmo um pequeno lago com imensas tartaruguinhas fofinhas que só dá vontade de levar para casa. E foi então que me questionei, na minha santa ignorância, porque seriam as tartarugas tão sagradas para estes chineses.
Depois de uma pequena busca na internet julgo ter descoberto o porquê e por isso deixo aqui o link para os mais curiosos.




Como poderão ver nas imagens seguintes, tudo no interior do templo tem um detalhe impressionante que nos faz querer perder tempo a contemplar  e a absorver tudo ao pormenor. Nesta primeira visita não quis largar a máquina fotográfica e comecei a disparar em todas as direcções, de tão fascinada que estava!



Um dos pormenores que sempre me fascinou nos templos orientais são os seus telhados alaranjados com as pontas arrebitadas. Não são lindos?


Este é o local onde todos os devotos fazem as suas orações e queimam os seus incensos, com a pretensão de que as suas preces se elevem até aos céus e sejam ouvidas pelos Devas orientais. Por isso, enquanto por aqui permanecemos sente-se sempre o cheirinho agradável do incenso e apesar de por vezes o fumo ser intenso, dá-nos sempre a sensação de o ar estar mais puro.









Sendo o Yin e o Yang os conceitos básicos do taoísmo, podemos observar as suas forças representadas por animais tais como a Fénix, o Dragão, a Serpente, o Peixe e o Leão. Este é assim um local de muito simbolismo que nos faz querer saber sempre mais sobre o Universo...
   






Os altares são locais sagrados, onde são prestados os cultos aos Devas e onde são feitas oferendas em dinheiro, comida ou doces por parte dos que a eles recorrem para pedir ajuda.










Em zonas mais escondidas deste templo podemos encontrar grandes jarrões chineses e biombos cuidadosamente pintados à mão.





Os candeeiros são lindíssimos e encontram-se pendurados junto aos altares trazendo uma ambiência intimista e acolhedora e penso se não estarão ali para iluminar o nosso pensamento.



Os tectos, paredes e pavimentos continuam a fazer jus a este espantoso monumento tornando o nosso olhar cada vez mais astuto na descoberta de novos detalhes.






Na parte de trás deparamo-nos com um jardim maravilhoso, que nos dias de sol nos faz querer ficar um pouco mais a contemplar esta construção maravilhosa.





Pois é...Este é um espaço Zen que vou querer visitar vezes e vezes sem conta, pois o tempo por aqui passa a voar e a energia deixa-nos completamente revitalizados. A paragem por aqui é obrigatória para qualquer visitante a Macau e no que me diz respeito por aqui estarei, sempre que possível, todas as semanas a respirar o ar puro de um estado meditativo.





segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Turista por um dia

Apesar de toda a atribulação que uma nova vida alberga, decidimos que tínhamos de, imperativamente, conhecer o centro histórico de Macau. Um dos locais mais procurados e mais antigo na cidade de Macau são as Ruínas de São Paulo e foi com esse objectivo que nos pudemos a caminho! Não estávamos era preparados para o que iríamos encontrar naquela zona da cidade a um Sábado!


A rua que dá acesso ao já designado "Altar da Cidade" é estreita e encontra-se repleta de comércio variado, desde lojas de roupa, sapatos, comida, souveniers, a mercado de rua como as feiras a que estamos habituados em Portugal, e um mar de gente a perder de vista.











Vamos continuar? E afogar-nos na multidão?






Nesta rua as pessoas têm sempre tendência a andar muito devagarinho e a parar em cada barraquinha para provar o porco ou a vaca doce que os comerciantes tão empolgantemente anunciam nos microfones. Confesso que ainda não nos sentimos tentados a provar, mas assim que tal nos cair no goto partilhamos com vocês a sensação!



Portanto, quem estiver com pressa a um fim-de-semana não se atreva a atravessar a rua de S. Paulo e aconselhamos que apanhe um outro atalho antes que desespere!





A passo de caracol lá conseguimos atravessar o mais parecido Cabo das Tormentas e, no topo da rua, avistámos então o que resta da primeira igreja e colégio dos Jesuítas na China, hoje designado por Ruínas de São Paulo. 


                        


Esta igreja foi construída no início do século XVII e foi desenhada por um jesuíta italiano e ornamentada com a ajuda de japoneses cristãos fugidos de perseguições no Japão. Em 1835, um incêndio destruiu tudo com a excepção da fachada principal, que até hoje permanece intacta e revela-se um símbolo de um passado marcado pelo encontro de culturas e pela evangelização do Oriente. Nesta fachada podemos contemplar algumas citações bíblicas em chinês, crisântemos japoneses e estátuas de bronze de missionários santos.







É um monumento imponente mas de certa forma causa-nos uma sensação estranha, porque percebemos que assim que atravessarmos a fachada nada surgirá do lado de lá... 



No entanto todos querem ser fotografados junto a este maravilhoso marco da cidade! Vêm-se muitos turistas chineses que ao que dizem, vão ali picar o ponto antes de se esgueirarem para os casinos!
E como se costuma dizer, na China sê Chines, e tira o máximo de fotografias que conseguires!







Depois deste passeio, a barriguinha começou a dar horas e a carne doce chinesa continuava a não nos aliciar...Foi aí que descobrimos um restaurante brasileiro, o "Yes Brasil", escondido numa ruazinha perpendicular à rua de São Paulo. Foi ouro sobre azul! Um tenrinho bifinho de vaca, com feijão preto e arrozinho branco! Quem bem que soube! Parabéns à cozinheira brasileira que nos serviu este belo pitéu!


Então e que tal um pastel de nata para sobremesa? 




Será que valeu a pena a Pataca XL atravessar a corrente para provar este docinho tipicamente português? 

Para saberem mais sobre o pastel de nata chinês não percam os próximos capítulos!